Combustível de aviação sobe 54% em abril e pressiona preço de passagens
O setor aéreo brasileiro recebeu um balde de água fria nesta segunda-feira (30). A Vibra Energia confirmou um reajuste drástico de 54,63% no preço do Querosene de Aviação (QAV) a partir do próximo dia 1º de abril. O movimento é seguido de perto pela Petrobras, que projeta altas de até 80%, impulsionadas pela paridade internacional e pela escalada de tensões no Oriente Médio.
Com o combustível representando cerca de um terço dos custos operacionais das companhias aéreas, o impacto nas passagens para o restante do primeiro semestre de 2026 é inevitável.
O Fator Geopolítico: Petróleo Brent em Disparada
A explicação para o salto nos preços atravessa oceanos. O conflito direto entre EUA e Irã gerou um bloqueio parcial em rotas estratégicas, jogando o barril de petróleo Brent para além dos US$ 72,00. No Brasil, a política de preços atrelada ao mercado global reflete esse cenário com rapidez:
Histórico Recente: O reajuste de abril soma-se à alta de 9,4% já registrada em fevereiro de 2026.
Paridade Internacional: O câmbio volátil e a cotação do óleo no Golfo do México são os principais vilões do novo índice.
Outras Distribuidoras: Gigantes como Air BP e Raízen ainda não divulgaram suas tabelas, mas o mercado prevê alinhamento com os novos patamares da Vibra.
Turbulência para as Companhias e Passageiros
As empresas aéreas nacionais (Azul, Gol e Latam) já manifestaram preocupação extrema. O governo federal, através da Casa Civil e do Ministério de Minas e Energia (MME), tenta negociar uma “coluna de amortecimento” com a Petrobras, mas o espaço para manobra é curto.
Repasse de Preços: Especialistas preveem que trechos domésticos podem sofrer reajustes de 15% a 25% já nas próximas semanas.
Corte de Tributos: O governo avalia reduzir alíquotas de ICMS e PIS/Cofins sobre o QAV como medida de emergência para evitar uma crise de conectividade no país.
O aumento de mais de 50% no QAV pela Vibra é o sinal mais claro de que o consumidor deve se preparar para um abril de preços salgados. Para quem tem viagens planejadas para as férias de julho ou feriados do segundo semestre, a recomendação é antecipar a compra o quanto antes, pois a tendência é de precificação dinâmica agressiva para compensar os custos de abastecimento. Em Brasília, a queda de braço entre mercado e governo está apenas começando.

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